Mostrar mensagens com a etiqueta Edições ASA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Edições ASA. Mostrar todas as mensagens

sábado, 31 de dezembro de 2016

As Dez Figuras Negras - Opinião

As Dez Figuras Negras

Resultado de imagem para as dez figuras negras asaNome do livro: As Dez Figuras Negras
Nome original do livro: And Then There Were None
Nome do livro no Brasil: O caso dos Dez Negrinhos
Nome da Autora: Agatha Christie
Editora: Edições ASA
Número de páginas: 190 páginas
Sinopse: «Dez desconhecidos que aparentemente nada têm em comum são atraídos pelo enigmático U. N. Owen a uma mansão situada numa ilha da costa de Devon. Durante o jantar, a voz do anfitrião invisível acusa cada um dos convidados de esconder um segredo. Nessa mesma noite um deles é assassinado. A tensão aumenta à medida que os sobreviventes se apercebem de que não só o assassino se encontra entre eles como se prepara para atacar uma e outra vez…»





Opinião: Depois de tanto ouvir falar da Agatha Christie eu quis ler um livro dela e acabei por escolher um dos mais famosos dela: As Dez Figuras Negras. 
Antes de mais deixem-me já avisar que não vou puder dizer muita coisa sem ser spoiler. A premissa da história é a seguinte: por algum motivo, dez estranhos são chamados a uma ilha. Quando lá chegam, inesperadamente, perdem contacto com o exterior e acabam por, um a um, serem assassinados. Assim, temos o medo de ser o próximo a ser morto, a tentativa de parar com as mortes e a desconfiança que reina entre as personagens. 
O meu maior problema com este livro acho que foram mesmo os nomes. Do nada somos apresentados a dez personagens diferentes com histórias diferentes e com profissões diferentes e, por vezes, acabava por me esquecer quem era quem e tive de ir atrás ver, mas nada que não possa ser ultrapassado ao escrever-se os nomes numa folha e quem são (como eu fiz, admito). 
Apesar de já ter ouvido falar muito da autora, o talento dela para a escrita conseguiu surpreender-me assim como o facto de que ela consegue dar um tom arrepiante à história com uma facilidade e subtileza louváveis. 
Algo que eu realmente gostei imenso é que, perto do final, ainda é difícil perceber qual vai ser o desfecho e o final é completamente inesperado e altamente lógico. Gostei bastante do livro e, por isso, recomendo muito. 
Boas leituras.
(4 em 5 estrelas)

Trailer da adaptação do livro:





quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Tudo O Que Ficou Por Dizer - Opinião

Tudo o Que Ficou Por Dizer

Nome do livro: Tudo o Que Ficou Por Dizer
Nome original do livro: Everything I Never Told You
Nome da Autora: Celeste Ng
Editora: Edições ASA
Número de páginas: 242 páginas
Sinopse: «"Lydia morreu. Mas eles ainda não sabem."Começa assim o avassalador romance de Celeste Ng. É de manhã, a família desperta para o pequeno-almoço. O pai, a mãe, o filho mais velho e a filha mais nova. Há porém um lugar vago à mesa e um silêncio que pesa. A filha do meio, a favorita dos pais, está ausente.
Como morreu, ou porque morreu, é para já um enigma. Há um inquérito, dúvidas, suspeitas e acusações. E uma teia delicada de dramas antigos, de segredos, que se vão desvendando pela voz (e pelo olhar) de cada um dos elementos da família. Apaixonamo-nos por eles, tão expostos (e tão frágeis) nesse momento de perda. Conhecemos a mãe, loura e de olhos azuis, que abandonou o sonho de uma vida pela filha - a quem depois virá a exigir o impossível. O pai, de ascendência chinesa, que projecta na única filha de traços ocidentais a sua própria integração na América. E conhecemos os irmãos de Lydia, a quem foram dadas apenas as sobras do amor - mas que nem por isso deixaram de a amar.
Tudo o que Ficou por Dizer é um romance pungente, narrado numa voz terna, por vezes poética, sempre precisa. É uma obra sobre os não-ditos, os abismos que se abrem nas famílias, os esquecimentos do amor. E sobre esse enorme mistério chamado Lydia, que na hora da sua morte ofereceu à família, por fim, uma hipótese de redenção.»

Opinião: Comecei a ler e esperava um thriller comum. Esperava alguns arrepios, ficar a pensar um bocado no assunto, curiosidade e depois acabar por me lembrar dele de vez em quando. Ao fim de 20 páginas eu ainda esperava que fosse um thriller comum e enganei-me redondamente. Ao fim de umas 100 páginas eu já tinha dito pelo menos "oh meu Deus" umas cinco vezes, senti todo o meu corpo arrepiar-se mais do que uma vez e houve um momento em que até comecei a chorar sem sequer notar. Porquê? Porque a história mostra-nos de tal forma como as coisas parecem e como elas realmente são para todos os elementos desta história que o coração aperta-se e o corpo arrepia-se por completo. Não é como se tivesse presenciado algo parecido, mas o livro abrange tantas personagens diferentes e vidas tão diferentes que uma pessoa acaba por se identificar nem que seja apenas uma parte ou identificar uma personagem com alguém que conhecemos e, consequentemente, a tristeza da personagem com a pessoa real.
Então sobre o que fala o livro? O livro acompanha a família Lee, uma família no final dos anos 70, que um dia desperta e tudo parece normal exceto um pequeno facto: a filha preferida dos pais está atrasada para o pequeno-almoço. O livro começa com "Lydia morreu. Mas eles ainda não sabem." e a partir daí somos envolvidos numa rede de segredos, rancor e tristeza enquanto os segredos da família são nos mostrados um a um e deixamos de ver uma família normal para ver os esqueletos que carregam arrependimentos do passado. 
Para dizer a verdade, ao fim do primeiro capítulo eu já estava arrepiada pelo simples facto de que é o momento em que descobrem o corpo dela. A partir daí, a autora vai recuando constantemente ao passado para nos demonstrar a relação da personagem com a Lydia e o porquê dos conflitos internos, e esta foi das partes que eu mais gostei de todo o livro, a capacidade da autora de recuar ao passado sem parecer forçado. 
Entretanto, eu fui ficando cada vez mais cativada. As dúvidas e os pensamentos das personagens misturados com a incrível escrita da autora são, acredito eu, o suficiente para arrepiar qualquer um. 
Percebo o porquê de muita gente não gostar assim tanto deste livro. "Porque é que ela não se impõe?" "Porque é que eles não dão atenção aos outros filhos?" e perguntas deste género são comuns de surgir ao longo do livro mas eu acredito que ao mostrar o passado, o objetivo da autora seja exatamente responder a essas perguntas porque, se analisarmos a situação com calma, olharmos bem para o passado das personagens e olharmos para os irmãos, percebemos o porquê de cada ação. Mesmo as da Lydia. 
A Lydia, apesar de já começar o livro com ela morta, foi uma surpresa. Durante uma parte do livro ela é nos demonstrada como a menina perfeita. Depois o pano cai e vemos a diferença entre como as pessoas a achavam e como ela realmente era. E quando achei já ter o livro todo resolvido, a autora surpreendeu-me bastante.
Aquando da escrita desta opinião, não faz nem 10 minutos que terminei o livro e ainda consigo distinguir bem os sentimentos que estão a emergir em mim antes deles se dissiparem: sinto medo, sinto-me assustada e uma estranha vontade de chorar, não por mim mas por eles. Tudo isso por uma vida alheia, a vida de pessoas que não conheço e que nem são reais, de uma autora que não conheço, num país que nunca visitei, num ano em que eu ainda nem era viva. E no entanto, conseguiu provocar em mim sentimentos nunca antes sentidos de forma tão forte por um livro. Finalmente encontrei aquele livro que nos muda a forma de ver o mundo, e não há volta a dar. 
Só consigo descrever este livro como incrível e esperar que, um dia, todos o tenham lido. 
Boas leituras.
(5 em 5 estrelas)
Quotes/Melhores Momentos:
  • «As pessoas decidem como és, antes mesmo de te conhecerem. (...) Acham que sabem tudo sobre ti. Mas nunca és o que as pessoas pensam que és.» - Página 163