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sábado, 23 de setembro de 2017

City - Opinião (Book Review)

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City


Nome do livro: City
Nome do Autor: Alessandro Baricco
Editora: Difel
Número de páginas: 266 páginas
Sinopse: «Este livro intitula-se City. Estou consciente de que, depois de Seda, teria sido melhor encontrar algo que soasse um pouco diferente. Mas este livro está construído como uma cidade, como a ideia de uma cidade. Gostava que o o título o dissesse. Agora di-lo.
As histórias são bairros, as personagens são ruas. O resto é tempo a passar, vontade de vaguear e necessidade de olhar. Viajei por City durante três anos. O leitor, se quiser, poderá percorrer o meu caminho. É isso que é o bom, e o difícil, de todos os livros: pode-se viajar na viagem de outra pessoa?
Assim, para que conste, queria dizer que pela primeira vez escrevi um livro que, pelo menos em parte, se desenrola nos dias de hoje. Há automóveis, telefones, autocarros, há até um televisor, a determinada altura há um senhor a vender uma caravana. Não há computadores, mas hei-de lá chegar, um dia. Entretanto descansei um pouco do esforço ao desenhar um ou dois bairros, em City, que deslizam para trás ao longo do tempo. Num, há uma história de boxe, nos tempos da rádio. No outro há um western. É muito divertido, e também muito difícil. Passamos o tempo todo a perguntar-nos como raio será que iremos escrever o tiroteio final.
Quanto aos personagens - as ruas - há um pouco de tudo. Há um que é gigante, um que é mudo, um barbeiro que à quinta-feira corta o cabelo de graça, um general do exército, muitos professores, pessoas que jogam à bola, um menino negro que joga basquete e acerta sempre. Pessoas assim.
Há um rapazinho chamado Gould e uma rapariga chamada Shatzy Shell (nada a ver com o da gasolina).
Vou sentir a falta deles.»

Esta opinião talvez seja das mais difíceis que algum dia vou ter de escrever, não só porque tive uma grande relação de amor-ódio com o livro, mas também porque, honestamente, ainda não consegui perceber bem sobre o que se trata. 
City é, supostamente, um livro onde acompanhamos o que se passa na vida das pessoas da cidade. No entanto, seguimos maioritariamente Gould, um rapaz génio, Shatzy Shell, uma rapariga contratada para tomar conta dele, e dois homens que andam sempre com Gould. A história vai-se desenrolando a partir da vida destas personagens da forma mais estranha possível. 
Comecei o livro exatamente sem saber nada sobre ele uma vez que a sinopse pouco ou nada dá sobre a história, e estava, honestamente, com algum receio. 
O início do livro não ajudou uma vez que, logo o início em si, foi bastante estranho, e ao fim de 50 páginas eu estava muito confusa com a história e ainda não tinha percebido qual era a ação do livro em concreto, na verdade, esta sensação foi muito semelhante àquela que senti enquanto lia o Para Onde Vão os Guarda-Chuvas do Afonso Cruz.
Esta sensação deveu-se, não apenas pelo que referi anteriormente, mas também pela forma de escrita do autor que, ou escreve parágrafos compridos e super descritivos, que junto com a história esquisita, acaba por deixar o livro super aborrecido, ou escreve páginas inteiras de diálogo, sem usar uma única vez um travessão seguido da reação da personagem ao que tinha dito ou ouvido ou qualquer ideia de movimento, simplesmente diálogo. 
Ao fim de 120 páginas, eu estava mais confusa do que nunca e já não conseguia sentir qualquer interesse ou curiosidade em terminar o livro. No entanto, sigo a filosofia de que um livro pode ser mau, mas o final pode compensar e ser incrível, então continuei. Mais 30 páginas, e a história continuava sem nexo, além de que parecia que o autor queria contar demasiadas histórias ao mesmo tempo e isso acabou por fazer do livro uma confusão de nomes e acontecimentos. O livro assemelhava-se agora, na minha mente, a uma causa perdida. A um daqueles livros que poucas vezes apanhamos na vida e que acabamos a dar uma estrela... porque não podemos dar zero. No entanto, milagres acontecem pelos vistos, chegamos à página 230 e o livro começa a ficar bom. Porquê? Porque a Shatzy Shell, que como o autor diz constantemente não está relacionada com a gasolina, começa a contar um western que ela está a escrever. E, honestamente, se este western fosse vendido em separado, eu comprava sem pensar duas vezes, a história dela é fantástica (se não quiserem saber do que se trata sigam para o próximo parágrafo) e passa-se numa terra em que o tempo está parado, as pessoas têm doenças e o corpo dói-lhes, mas elas não conseguem morrer, e é o que as pessoas querem, acham que já são velhas o suficiente para morrerem em vez de continuarem a viver cheios de doenças e de dores, então temos toda uma luta para fazer o tempo andar, à medida que vemos as pessoas que habitam essa terra, analisamos as suas peculiaridades e tentamos compreender todo o mistério que circunda aquele sítio parado no tempo. 
O final do livro é bom, mas o final do western é maravilhoso. Honestamente, gostava que este fosse vendido em separado, porque ele é muito bom mas acaba por ser ofuscado pelo resto do livro, o que deve levar a que poucas pessoas leiam o suficiente ao ponto de chegar a esta parte maravilhosa, consequentemente, poucas tem a experiência de ler as palavras que acho  serem as melhores do livro. 
Assim sendo, recomendo muito, mas apenas pelo western e pelas frases boas que encontramos durante toda a obra. Atenção, não estou a dizer que é um mau livro, só não foi bom para mim, vi muitas opiniões de pessoas que amaram o livro, infelizmente não foi o meu caso.
Boas leituras.
(2 em 5 estrelas)

  • «Com estas estradas na cara, velhice maldita, a mijar-se em cima de noite, o mal bastardo por baixo do cinturão, como uma pedra em brasa entre a barriga e o cu, nunca mais se faz dia, e quando nasce é um deserto de tempo vazio para atravessar, como é que cheguei aqui, eu?» - Página 118
  • «Ouve-me bem, Gould: nunca encontrarás nada mais selvagem e primitivo do que dois intelectuais a bater-se em duelo. E nada mais desonesto.» - Página 165
  • «Se perderes um cavalo podes fazer duas coisas: correr atrás dele, ou então ficares onde houver água e esperar que ele tenha sede. Na minha idade, corre-se mal mas espera-se divinamente.» - Página 229

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Primo Basílio - Opinião

O Primo Basílio


Nome do livro: O Primo Basílio
Nome do livro no Brasil: O Primo Basílio
Nome do Autor: Eça de Queirós
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 451 páginas
Sinopse: «Este "episódio doméstico", conforme o clas­sificou Eça de Queirós, pretende mostrar a todos, de maneira exemplar, a tese da corrupção da família, vista como uma instituição burguesa, salientando-se a família da média burguesia lisboeta, que tem seus valores fundamentais atacados pelos escritores realistas.
O espaço está concentrado em Lisboa. Os males que desagregam a sociedade são mostrados no romance. Surgem a decadência moral, a ociosidade, o relacionamento de superfície, o uso das aparências e das convenções, o tédio disfarçado pela aventura, os abusos da sexualidade, a hipocrisia, e assim por diante.»

Opinião: Depois de ter lido os Maias eu não estava com muita vontade de, tão cedo, experimentar mais um livro do Eça de Queirós. No entanto, deram-me o Primo Basílio e eu decidi tentar mais uma vez. E lamento informar que também não foi desta que eu passei a gostar dos livros deste autor.
Neste livro temos a Luisa, uma rapariga que é casada e feliz. Até que o seu primo a vem visitar e antigos sentimentos do passado renascem.
No início eu estava realmente a gostar mais destas personagens do que das dos Maias, no entanto, até isso se perdeu com o tempo. Mal o primo Basílio apareceu eu já não gostei dele e, a partir desse momento, a Luísa começou a parecer uma personagem muito idiota e ingénua, e as personagens passam a confiar todas demasiado umas nas outras mesmo não tendo motivos para tal. Para quem começou por gostar bastante das personagens, ao fim de 150 páginas já não gostava de nenhuma, salvo seja talvez o melhor amigo do marido da Luísa que me pareceu ser a única pessoa decente e interessante em todo o livro e que não teve, infelizmente, o protagonismo que merecia.
Onde o autor poderia fazer-me gostar mais, na reviravolta, eu achei-a completamente esperada. E devo acrescentar que, tendo em conta os acontecimentos desta obra e os acontecimentos dos Maias, o Eça de Queirós deve gostar mesmo de drama.
Entretanto cheguei ao final e ainda estou a tentar decifrar como me sinto relativamente à obra, apesar de que até gostei do final.
Algo que eu achei curiosa é o facto de que neste livro temos referências a pessoas e lugares dos Maias, e eu achei piada a esse pormenor.
Para mim, o que realmente salva este livro é a crítica social, e é só mesmo por esse aspeto que eu recomendo a leitura deste livro, porque de resto a obra, infelizmente, não me convenceu.
Boas leituras.
(2 em 5 estrelas)

sábado, 12 de novembro de 2016

O Nosso Jogo - Opinião

Nome do livro: O Nosso Jogo
Nome original do livro: Our Game
Nome do Autor: John Le Carré
Editora: BIS
Número de páginas: 393 páginas

Sinopse: "Aos 48 anos, Tim Cranmer é um agente secreto a viver uma reforma antecipada no Somerset profundo. Com a Guerra Fria travada e vencida, está livre para se dedicar ao seu solar de família, às vinhas e à amante, a jovem e bela Emma. Mas ao passado ninguém foge, e o passado de Tim vive a 30 quilómetros de distância, na pessoa do caótico Larry Pettifer, professor universitário radical e entediado, pinga amor e, durante 20 anos, multifacetado agente duplo de Tim contra a agora desaparecida ameaça comunista. E, entre os dois homens, existe Emma e uma rivalidade por resolver.
Entretanto, Larry e Emma desaparecem. E Tim embarca numa perseguição a ambos, transformando-se ele próprio em presa, ao seguir os amantes através do campo minado das suas novas lealdades. Mas, à medida que Tim atravessa o terreno devastado da Inglaterra pós-thatcheriana e entra na selva sem lei de Moscovo e do Sul da Rússia, somos também levados a partilhar com ele o dilema de um legalista despojado do nosso tempo, privado do passado e do futuro, e a braços com os últimos resquícios de humanidade."
Opinião: Já à muito tempo que eu ouvia falar do grande autor que era John Le Carré e, como tal, decidi ler um dos seus livros. O livro dele que mais me chamava a atenção era O Fiel Jardineiro, que eu me lembrava de ter adorado o filme quando o vi à uns anos na aula de história, no entanto, eu tinha outro livro deste autor e foi por ele que eu tive o primeiro contacto. Assim sendo, O Nosso Jogo é a minha primeira leitura deste tão aclamado autor e devo dizer que não foi um bom começo.
O livro acompanha o Tim, um ex-agente secreto que um dia recebe a polícia à porta porque o seu melhor amigo desapareceu. Assim, acompanhamos o Tim enquanto mente à polícia, à agência a que pertenceu, e faz muitas coisas ilegais tudo para encontrar o melhor amigo dele, o Larry... que roubou a sua ex namorada, e que o tratava como inimigo.
Por falar nas personagens, eu detestei logo desde o princípio o Larry, a pessoa mais ingrata à face da terra que, como tal, fica bem com a ex-namorada ingrata do Tim, a Emma (que é também bastante ingénua) e detestei ainda o Tim que só sabe viver consoante os outros, o que acaba mesmo por o tornar ridículo, além de, tendo em conta a situação e as repercussões que podem ter, toma decisões muito burras e irresponsáveis, o que não é esperado de uma personagem que, supostamente, ocupou um cargo tão importante e perigoso no passado.
Então o livro começa e nós somos colocados completamente do nada na história. Para melhorar a confusão, dão-se constantes mudanças de ação e de lugar, o que torna o livro ainda mais difícil de compreender. A história em si já não me estava a convencer, mas ao fim de 100 páginas as coisas só pioraram porque não houve praticamente ação nenhuma e a (muito) pouca que houve, foi em flashbacks. E esse foi outro problema, o livro passa-se demasiado nas recordações da personagem principal, o que, não só tornou a leitura ainda mais lenta e aborrecida, mas também acabou por confundir um pouco relativamente ao ponto da vida das personagens em que estamos e à ordem dos acontecimentos. Depois o livro chega a pontos da ação muito aborrecidos e confusos e dão-se mudanças, constantemente, muito drasticamente.
No final, percebi o que aconteceu na história, mas muitas vezes não percebi como se chegou lá ou o porquê. Não foi realmente um livro que me tenha convencido e não o recomendo, apesar de que, quem tiver curiosidade, leiam e depois digam-me se concordam ou discordam comigo.
Boas leituras.
(2 em 5 estrelas)
Quotes/Melhores Momentos: 
  • «Nós, os seres humanos, somos umas armas muito perigosas. E mais perigosas ainda nas nossas fraquezas. Sabemos tanto sobre o poder dos outros. E tão pouco sobre o nosso.» - Página 317
  • «Um homem morto é o pior inimigo vivo. 
    • Não podemos alterar o poder dele sobre nós. 
    • Não podemos alterar o amor ou a dívida que sentimos. 
    • E é tarde de mais para lhe pedir a absolvição. 
    • Ele vence-nos de todas as maneiras.» - Página 389

domingo, 14 de agosto de 2016

Viagens Na Minha Terra - Opinião

Viagens Na Minha Terra


Sinopse: «Vou nada menos que a Santarém: e protesto que de quanto vir e ouvir, de quanto eu pensar e sentir se há de fazer crónica.

E assim nasceu a obra que viria a ser o marco do movimento romântico em Portugal. A narrativa de viagens (o percurso de Lisboa a Santarém) enreda-se na perfeição com a novela trágica de Carlos e Joaninha e ainda com todas as singulares e geniais divagações e reflexões de Garrett sobre o estado do seu país.»
Nome do livro: Viagens Na Minha Terra
Nome no Brasil: Viagens Na Minha Terra
Nome do Autor: Almeida Garrett
Editora: Porto Editora
Número de páginas: 293 páginas

Opinião: Depois de ouvir muitos elogios ao Almeida Garrett, decidi ler um dos seus livros mais aclamados, o Viagens Na Minha Terra, e devo dizer que não fiquei nada fã deste livro.
Primeiro de tudo, temos o narrador do livro que é extremamente maldoso e egocêntrico, além de que a o livro é muito arrastado e chato, tendo várias partes que são, na minha opinião, completamente desnecessárias. 
Além disso, o livro tem demasiadas referências literárias e históricas que requerem muito mais que o simples conhecimento geral e que acabam por, mais uma vez, dificultar a leitura. 
Entretanto surgiu algo que para mim fez realmente sentido: apareceu uma história de romance, entre o Carlos e a Joaninha, que eu achei que estava a ser mesmo boa e que me deixou a pensar que este era mais um daqueles livros que a ação demora para acontecer mas quando acontece é incrível. Infelizmente, não foi o caso. No entanto, ao fim de alguns capítulos a ação voltou a abrandar e depois o autor volta a perder-se em pormenores desnecessários e aborrecidos. Além disto, eu achei que o Carlos era realmente uma péssima pessoa. 
Portanto, se me pedirem para vos descrever o que fala o livro, eu não o consigo fazer. Em geral é um livro que não recomendo. Tem umas partes boas sim mas acho que, vendo em geral, pelas partes boas que tem, não vale a pena ler o livro todo. Infelizmente, foi uma desilusão. 
Boas leituras. 

(2 em 5 estrelas)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

A Pequena Estrela - Resenha

A Pequena Estrela 

Sinopse: "Star é uma pequena estrela que decide partir à descoberta da galáxia onde vive, para compreender melhor quem é e o que a rodeia. Nesta sua aventura, em que viaja acompanhada pelo seu irmão, Planeta, Star encontra novos amigos, como Rígel, Betelgeuse e ómega, que lhe demonstram e explicam toda a diversidade de elementos que existe no Universo. A Pequena Estrela é uma forma simples e divertida de ficar a conhecer, através do olhar de um pequeno astro, toda a imensidão do Espaço e de aprender vários conceitos estudados pela Astronomia."
Nome do livro: A Pequena Estrela
Nome dos Autores: Élizabeth Vangioni-Flam e Michel Cassé
Editora: Arte Plural Edições
Número de páginas: 92 páginas
Resenha: Quando peguei neste livro, sabendo que era mais destinado às crianças, as minhas expetativas eram muito baixas. Mas, mesmo assim, este livro conseguiu desiludir-me.
A Pequena Estrela é um livro que segue uma estrela, a Star. O problema é, ela é tão teimosa, senhora de si e criança, que irrita. Mas mesmo que uma pessoa consiga ignorar estes "pormenores" (o que eu não consegui), o livro é completamente secante.
O livro acaba quase por ser um dicionário só com termos relacionados à galáxia. Eu sei perfeitamente que o livro é para crianças, mas qualquer criança normal que o vá ler, vai ficar aborrecida, porque o livro não puxa nada.
As ilustrações sim são bonitas, mas até isso podia ser melhor.
Tem umas três frases que eu até gostei, o que é estranho visto o livro ser tão pequeno (nem 100 páginas tem), mas essas frases não foram o suficiente para me fazer gostar do livro.
Não é um livro que eu recomende a ninguém, goste ou não da galáxia e de saber mais sobre o assunto. Não recomendo, mas se o lerem, digam-me a vossa opinião.
Boas leituras.
Quotes/Melhores Momentos:
  • «Uma é formiga, a outra é cigarra, mas nenhuma delas escolheu o seu destino.» - Página 20
  • «O homem parece-me o mais estranho, apaixonado pelo seu próprio infortúnio, passeando o seu esqueleto sobre duas estacas articuladas, e com uma esfera cheia de palavras na sua extremidade superior. Meu Deus, como ele é feio! Feio como uma monstruosa cenoura e tão comprido! E seria ele a lama celeste com a pretensão de ser a única a pensar! Mas porque é que os homens não são redondos?» - Página 47 
  • «O que é que existia antes de existir qualquer coisa? O que é que existirá quando já não existir nada?» - Página 77