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sábado, 30 de janeiro de 2016

1984 - Resenha Dupla

1984

Sinopse: "Curioso percurso, o desta alegoria inventada para criticar o estalinismo e invocada ao longo de décadas pelos ideólogos democráticos, e que oferece agora uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas.
A electrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. Como se não bastasse, a electrónica permite, e também sem precedentes, que instrumentos destinados ao trabalho e à vigilância sejam igualmente usados nos ócios. É graças à unificação de todos os aspectos da vida numa tecnologia integrada que a democracia capitalista pode realizar na prática as suas virtualidades totalitárias. O Big Brother já não é uma figura de estilo – converteu-se numa vulgaridade quotidiana."
Nome do livro: 1984
Nome do Autor: George Orwell
Editora: Antígona
Número de páginas: 300 páginas
Resenha: Eu finalmente li o clássico distópico que todos amam, 1984. E sim, devo dizer desde já que é um bom livro. 
Mudou a minha forma de pensar ou de ver o mundo como para a maior parte das pessoas que o leu? Não. Deixou-me a pensar? Sim. 
Para aqueles que não sabem sobre o que este livro fala (o que deve ser difícil visto que pelo menos já devem ter ouvido falar do programa Big Brother que descreve em parte este mundo): este livro acompanha a vida de Winston Smith que vive na Oceânia, apesar de neste caso a Oceânia não ocupar exatamente os países que ocupam para nós atualmente. Neste livro é nos descrito um mundo futurista e completamente novo onde as pessoas são constantemente vigiadas e influenciadas pelo governo. Não pode haver vontade própria ou até pensamentos próprios, o governo manda. No topo desta "pirâmide" de vigilância temos o Big Brother, símbolo da constante vigia, e a frase "Big Brother is watching you" (O Grande Irmão está a ver-te) é constantemente lembrada às personagens deste livro; existe até a "Polícia do Pensamento" responsável por prender quem pensa contra o governo, o slogan é "Guerra é Paz. Liberdade é Escravatura. Ignorância é Força", que acabam por ser explicados e que acaba por descrever o extremo do governo. 
E é exatamente este mundo a melhor parte do livro, uma vez que George Orwell conseguiu criar um mundo tão à frente do seu tempo (e que ele considerava poder vir a ser o futuro). 
Quanto às personagens deste livro, temos o Winston, a personagem principal, que é uma personagem completamente diferente de qualquer outra neste livro porque não se deixa influenciar tanto pelo governo. Quanto às outras personagens do livro, e apesar de não ter gostado de praticamente nenhuma, não as odiei; não gostei da forma de serem mas percebo perfeitamente o porquê de serem assim e a necessidade delas para a história. 
Percebo também o porquê de o George Orwell levar tão ao limite a criação deste mundo, e ele acabou por fazer isso de uma forma completamente brilhante. 
Este livro é tão complexo (mas de uma forma simples) que se torna difícil dar a minha opinião, é exatamente daqueles livros que uma pessoa necessita mesmo de os ler para conseguir compreender como ele é. 
Muita gente compara o mundo deste livro com a nossa sociedade atual e sim, tem algumas características em comum, mas nada tão levado ao extremo ou tão totalitarista como neste livro, nesse aspeto ainda estamos bastante longe. 
O final deixou-me muitas perguntas por responder, mas considero que o autor fez isso de propósito e acabou por ficar bastante bem. 
O livro encontra-se divido em três partes, sendo que cada uma meio que simboliza os três principais pontos de mudança na história, e devo dizer que de todo o livro houve apenas um momento que eu simplesmente não gostei, que é o capítulo 9 da 2ª parte. Não vou dizer do que se trata, mas se lerem o livro tenham isto em atenção: essa parte, apesar de interessante, é bastante chata, mas devem continuar a ler mesmo assim porque a parte a seguir a essa é o ponto alto do livro (na minha opinião) e a 3ª parte é muito emocionante. 
É um livro com um mundo muito bom, personagens que se enquadram muito bem (apesar de eu não ter gostado da maioria delas), com descrições incríveis e nada arrastadas e uma história que se lê muito rápido, recomendo sim.
- Pan

Quotes/Melhores Momentos: 
  • «Enquanto não tomarem consciência não se revoltarão, e enquanto não se revoltarem não poderão tomar consciência» - Página 75
  • «Concluiu com surpresa que nos momentos de crise nunca se luta contra um inimigo exterior, mas sempre contra o próprio corpo.» - Página 106
  • «Neste jogo que estamos a jogar não temos hipótese de vencer. Há formas de fracassar melhores do que outras, só isso.» - Página 139
  • «Vocês terão de se habituar a viver sem resultados nem esperança. Trabalharão durante algum tempo, serão apanhados, confessarão e morrerão. São estes os únicos resultados visíveis. Convençam-se de que é improvável virem a ocorrer mudanças perceptíveis durante a vossa vida. Nós somos os mortos.» - Página 179
  • «Perante a dor não há heróis.» - Página 241
  • «Escravidão é liberdade. Sozinho, livre, o ser humano acaba sempre derrotado. E tem de ser assim, porque cada ser humano está condenado a morrer, o que constituiu o maior de todos os fracassos.» - Página 266
(4 em 5 estrelas)

1984

Sinopse: "The year 1984 has come and gone, but George Orwell's prophetic, nightmarish vision in 1949 of the world we were becoming is timelier than ever. 1984 is still the great modern classic of "negative utopia" -a startlingly original and haunting novel that creates an imaginary world that is completely convincing, from the first sentence to the last four words. No one can deny the novel's hold on the imaginations of whole generations, or the power of its admonitions -a power that seems to grow, not lessen, with the passage of time."
Nome do livro: 1984
Nome do Autor: George Orwell
Editora: Signet Classics (livro em inglês)
Número de páginas: 298 páginas
Outra Resenha: A aclamada obra de Geroge Orwell 1984 passa-se num universo distópico onde o governo controla tudo o que a população faz. A personagem principal é Winston Smith, um homem de 39 anos que trabalha para o governo. 
A história desenvolve-se ao redor de Winston, devido ao facto de ser diferente dos outros. Este livro descreve um governo diferente daqueles a que estamos habituados no século XXI, e, tendo em conta de que foi escrito em pleno movimento de ditadura e totalitarismo (Stalin e Hitler), o meio foi muito bem conseguido. A maneira como é descrito, quer o que as pessoas sentem em relação ao governo, quer as regras e "mandamentos" da sociedade, resulta numa envolvência total neste modo de viver. A início, parece ser bastante simples, mas à medida que continuamos a acompanhar a vida de Winston, apercebemos-nos de que não é assim tão linear. Um exemplo disso são os três slogans do partido: Guerra é Paz, Liberdade é Escravatura e  Ignorância é Força; que nos parecem quase que aleatórios quando nos surgem pela primeira vez, mas que são explicados mais adiante na obra. 
Outro aspeto que gostaria de realçar é o facto de o autor ter intercalado as lembranças de Winston, com a sua vida atual, com o governo, com os seus pensamentos. Isto poderia ter sido alcançado com muito pouco sucesso, tendo em conta de que o livro, apesar de nos dar a perspetiva de Winston, não é escrito por ele, mas sim na terceira pessoa. Mas não foi isto que aconteceu, e Orwell conseguiu um discurso fluido e sem falhas.
Um pormenor que achei que deveria ter tido em conta quando comecei a ler o livro é a época em que foi escrito. A obra foi escrito à cerca de 60 anos atrás e, tal como muitas das obras escritas nessa época, poderia ter referências a coisas que desconheço por não ter vivido nesse tempo. No entanto, para maior das minhas surpresas, 1984, talvez por se passar num futuro diferente do presente de George Orwell, poderia ter sido escrito e 2016, que a leitura seria a mesma. E considero que isto é de grande mérito, porque não é fácil escrever uma obra intemporal, que quebre qualquer barreira de tempo e espaço. 
Apesar de tudo isto, e talvez por procrastinar demasiado, não li o livro assim tão depressa. É bom, sim, verdade, mas demorei quase dois meses a lê-lo. 
No geral, recomendo a leitura deste clássico, principalmente a pessoas que gostem de utopias, neste caso, uma utopia negativa.
-Guerassimovna

Quotes/Melhores Momentos: 
  • «What mattered were individual relationships, and a completely helpless gesture, an embrace, a tear, a word spoken to a dying man, could have value in itself.» (O que importava era as relações individuais, e um gesto completamente desamparado, um abraco, uma lágrima, uma palavra proferida a um homem a morrer, poderiam ter valor nelas próprias) - Página 165
  • «You'll work for a while, you will be caught, you will confess, and the you will die.» (Irás trabalhar durante algum tempo, irás ser apanhado, irás confessar, e depois irás morrer) - Página 176
  • «In general, the greater the undestanding, the greater the delusion: the more intelligent, the less sane.» (No geral, quanto mais perceberes, mais é a ilusão: quanto mais inteligente, menos são) - Página 215
  • «Why should the fruit be held inferior to the flower?» (Porque é que a fruta tem que ser inferior à flor?) - Página 219
  • «Never again will you be capable of ordinary human feeling. Everything will be dead inside you. Never again will you be capable of love, or friendship, or jot of living, or laughter, or curiosity, or courage, or integrity. You will be hollow. We shall squeeze you empty, and then we shall fill you with ourselves.» (Nunca mais serás capaz de sentimentos humanos normais. Tudo dentro de ti estará morto. Nunca mais serás capaz de amor, ou amizade, ou alegria de viver, ou riso, ou curiosidade, ou coragem, ou integridade. Tu serás oco. Nós iremos esmagar-te até ficares vazio, e depois iremos encher-te com nós próprios.) - Página 256
(3.5 em 5 estrelas)

Trailer da adaptação do livro para o cinema: 


Discussão (com spoilers) do livro AQUI

sábado, 5 de dezembro de 2015

Caçadores de Cabeças - Resenha Dupla

Caçadores de Cabeças


Sinopse: "Roger Brown é um vilão sedutor, um homem que parece ter tudo: é o caçador de cabeças mais bem-sucedido da Noruega - procura e seleciona altos quadros para as maiores empresas -, casado com uma elegante galerista e proprietário de uma casa luxuosa. Mas, por detrás desta fachada de sucesso, Roger Brown gasta mais do que pode e dedica-se ao perigoso jogo do roubo de obras de arte.Na inauguração de uma galeria, a mulher, Diana, apresenta-o ao holandês Clas Greve e Roger percebe imediatamente que não pode deixar escapar aquela oportunidade. Clas Greve não é apenas o candidato perfeito ao cargo de diretor-geral que ele tem de recrutar para a empresa Pathfinder, como ainda tem em seu poder o famoso quadro de Rubens, A Caça ao Javali de Caledónia. Roger identifica aqui a possibilidade de se tornar financeiramente independente e começa a planear o seu maior golpe de sempre. Mas depressa se vê em apuros - e desta vez não são financeiros.
Em Caçadores de Cabeças, Jo Nesbo envolve-nos numa conspiração explosiva nos meandros da elite industrial e financeira, que culmina no submundo de assassinos contratados e vigaristas. Uma sucessão de homicídios surpreendentes, perseguições e fugas espetaculares, capazes de prender até à última página o mais exigente dos leitores."


Nome do livro: Caçadores de Cabeças
Nome em Inglês: Headhunters
Nome no Brasil: Headhunters
Nome do Autor: Jo Nesbø
Editora: LeYa
Número de páginas: 188 páginas
Resenha: Admito que tinha muitas esperanças relativamente a este livro. A sinopse deixou-me cheia de curiosidade, e quando acabei o prólogo, estava a morrer de vontade de saber o que acontecia e pensei que realmente ia ser um livro fácil de ler. Bem, não foi.
O livro acompanha o Roger Brown, um caçador de cabeças (muito bem sucedido, por sinal) que, secretamente, rouba obras de arte. Durante o livro, Roger decide dar o maior golpe da sua vida quando tenta roubar a Greve um quadro desaparecido desde a 2ª Guerra Mundial, mas existe um pequeno problema: ele não é o único que sabe enganar as pessoas, e uma perseguição enorme e surpreendente começa.
Só o Roger Brown por si só é uma personagem muito curiosa mas, nuns momentos ele é a pessoa mais inteligente do livro e do nada parece tão burro que demora a perceber o que o leitor já percebeu à muito. O facto de ele ser tão inteligente acaba por o tornar ligeiramente maniento, como se fosse a melhor pessoa à fase da Terra e soubesse tudo o que as pessoas iam fazer a seguir, isto até que acaba por ser bom porque é incrível ver a reação dele quando as coisas não acontecem como ele esperava.
O livro até que nem estava a ser mau até que a partir de metade do livro a ação se tornou muito lenta. Quando se está a umas 40 páginas do fim do livro não é bom que esteja tudo a ser lento, pelo contrário, devia ser o momento em que a ação se torna mais agitada.
O livro teve algumas descrições que me arrepiaram toda, desde descrições de cheiro a coisas que a personagem estava a ver ou a sentir, algumas realmente reviraram-me o estômago.
Admito sim que os acontecimentos são bastante inesperados e eu, definitivamente, não estava a ver aquele final, no entanto, não foi um livro que eu realmente gostei, na verdade, custou-me bastante a ler de tão chatas que eram algumas partes.
O livro tem ainda um filme que eu não posso dizer-vos se gostei ou não pois não o vi.
Assim sendo, não é um livro que eu recomende, mas para quem gosta de policias, especialmente aqueles muito descritivos, vai gostar bastante destes.
Boas leituras.
- Pan

Quotes/Melhores Momentos:
  • «O número de horas que o homem moderno passa a comunicar é o sêxtuplo dos nossos antepassados. Por conseguinte, comunicamos mais, mas será que comunicamos melhor?» - Página 84
Outra Resenha:
O livro Caçadores de Cabeças de Jo Nesbo fala de Roger Brown, o caçador de cabeças mais bem-sucedido da Noruega.
Este policial, que foi adaptado ao cinema em 2011, é, de facto, intrigante. Não só por ter como personagem principal um homem com quem, de início, dificilmente se consegue relacionar ou sentir qualquer tipo de empatia, mas também por ter como plano de fundo um espaço socio-cultural que nem todos são afortunados de disfrutar. Apesar de ser intrigante, tenho que admitir que não me prendeu de modo a querer devorar a história em meia dúzia de horas. Tornou-se um pouco maçudo de ler, mesmo tendo apenas umas míseras 188 páginas. Mas, felizmente para mim que estava a ler o livro quase que por obrigação, mais ou menos a meio, as reviravoltas começaram a aparecer. Uma atrás da outra, qual a mais inesperada, a verdade é que tornaram a obra muito mais interessante.
Tendo em conta que este é apenas o segundo policial que li, não posso analisar, de maneira alguma, os crimes cometidos, quer pelas personagens, quer pelo autor na maneira de descrever algo ou nalgum tipo de facto apresentado. O que posso dizer é que a intercalação entre o momento presente e o passado familiar de Roger está muito bem feito. Acabei o livro a saber quem é Roger Brown, incluindo a sua infância, sendo que este fez questão em parar a história do momento para dar algum tipo de informação que possa servir de explicação para algum tipo de atitude ou comportamento. A nível de escrita propriamente dita não tenho nada a dizer. Nesbo não tem um poder descritivo incrivelmente detalhado como Murakami, mas as suas descrições são o suficiente para agarrar o leitor e transportá-lo para o local ou para a situação.
De modo geral, gostei. É, sem qualquer sombra de dúvida, um bom livro. Perfeito para iniciantes ao género como eu devido à descrição de momentos macabros ser atenuada, não sendo a suficiente para ferir susceptibilidades. Recomendo.
(a outra leitora não encontrou nenhuma frase que lhe chamasse a atenção)


Trailer da adpatação do livro para o cinema: