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sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Primo Basílio - Opinião

O Primo Basílio


Nome do livro: O Primo Basílio
Nome do livro no Brasil: O Primo Basílio
Nome do Autor: Eça de Queirós
Editora: Bertrand Editora
Número de páginas: 451 páginas
Sinopse: «Este "episódio doméstico", conforme o clas­sificou Eça de Queirós, pretende mostrar a todos, de maneira exemplar, a tese da corrupção da família, vista como uma instituição burguesa, salientando-se a família da média burguesia lisboeta, que tem seus valores fundamentais atacados pelos escritores realistas.
O espaço está concentrado em Lisboa. Os males que desagregam a sociedade são mostrados no romance. Surgem a decadência moral, a ociosidade, o relacionamento de superfície, o uso das aparências e das convenções, o tédio disfarçado pela aventura, os abusos da sexualidade, a hipocrisia, e assim por diante.»

Opinião: Depois de ter lido os Maias eu não estava com muita vontade de, tão cedo, experimentar mais um livro do Eça de Queirós. No entanto, deram-me o Primo Basílio e eu decidi tentar mais uma vez. E lamento informar que também não foi desta que eu passei a gostar dos livros deste autor.
Neste livro temos a Luisa, uma rapariga que é casada e feliz. Até que o seu primo a vem visitar e antigos sentimentos do passado renascem.
No início eu estava realmente a gostar mais destas personagens do que das dos Maias, no entanto, até isso se perdeu com o tempo. Mal o primo Basílio apareceu eu já não gostei dele e, a partir desse momento, a Luísa começou a parecer uma personagem muito idiota e ingénua, e as personagens passam a confiar todas demasiado umas nas outras mesmo não tendo motivos para tal. Para quem começou por gostar bastante das personagens, ao fim de 150 páginas já não gostava de nenhuma, salvo seja talvez o melhor amigo do marido da Luísa que me pareceu ser a única pessoa decente e interessante em todo o livro e que não teve, infelizmente, o protagonismo que merecia.
Onde o autor poderia fazer-me gostar mais, na reviravolta, eu achei-a completamente esperada. E devo acrescentar que, tendo em conta os acontecimentos desta obra e os acontecimentos dos Maias, o Eça de Queirós deve gostar mesmo de drama.
Entretanto cheguei ao final e ainda estou a tentar decifrar como me sinto relativamente à obra, apesar de que até gostei do final.
Algo que eu achei curiosa é o facto de que neste livro temos referências a pessoas e lugares dos Maias, e eu achei piada a esse pormenor.
Para mim, o que realmente salva este livro é a crítica social, e é só mesmo por esse aspeto que eu recomendo a leitura deste livro, porque de resto a obra, infelizmente, não me convenceu.
Boas leituras.
(2 em 5 estrelas)

sábado, 4 de fevereiro de 2017

A Lua de Joana - Opinião

A Lua de Joana

Nome do livro: A Lua de Joana
Nome da Autora: Maria Teresa Maia Gonzalez
Editora: Editora Verbo
Número de páginas: 157 páginas
Sinopse: «Ao lermos a «Lua de Joana», não podemos deixar de pensar na forma como, muitas vezes, relegamos para segundo plano aquilo que realmente é importante na vida. Este livro alerta-nos para a importância de estarmos atentos a nós e ao outro, e de sermos capazes de, em conjunto, percorrer um caminho que conduza a uma vida plena…Foi já há quinze anos que «A Lua de Joana» foi publicada. Com mais de 300 000 exemplares vendidos nas suas inúmeras edições, com traduções em seis países, impôs-se como uma referência incontornável na literatura juvenil portuguesa e mundial.»


Opinião: Li pela primeira vez este livro quando era bem mais nova e lembrava-me o quanto o livro me tinha atingido. Então, mais de meia década depois, decidi reler o livro e que agradável surpresa não foi a de gostar ainda mais do livro da segunda vez.
O livro acompanha a vida de Joana, uma rapariga com uma vida completamente normal até que a sua melhor amiga, Marta, morre de overdose. O livro acompanha os relatos da vida de Joana cerca de um mês após a morte de Marta, enquanto ela tenta lidar com a morte desta, a relação complicada com a família e a escola.
Relativamente à escrita da autora, ela realmente conseguiu escrever como se de uma adolescente se tratasse e o livro flui muito bem.
Quanto às personagens eu gostei muito da Joana e, especialmente, do seu sentido de humor.
Muitas vezes quando as pessoas começam a ler este livro, esperam uma leitura leve acompanhada de uma moral. E realmente uma pessoa encontra a moral da história, mas o livro não é leve. A autora vai, lentamente, levando o leitor para temas cada vez mais pesados e importantes e quando damos por ela estamos frente a frente com temas tão pesados como a luta contra as drogas, que foi algo que a autora conseguiu descrever de forma louvável e, ao mesmo tempo, arrepiante.
Não vou mentir e dizer que não me lembrava de como o livro terminava. Eu lembrava-me e bem, acho que é impossível esquecer um final tão forte como este. No entanto, fui surpreendida pela emoção transmitida durante este final. O que mais me tocou relativamente a esta obra foi mesmo o facto de que, ao ler o livro agora, anos depois de ele ter sido lançado e de o ter lido pela primeira vez, o tema continua a ser tão atual e as palavras da autora continuam a ser tão pesadas e reais que o tornam num livro que todos deveriam, pelo menos uma vez na vida, ler. A Lua de Joana é um livro que recomendo imenso.
Boas leituras.
(5 em 5 estrelas)


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Para Onde Vão os Guarda-Chuvas - Resenha

Para Onde Vão os Guarda-Chuvas

Nome do livro: Para Onde Vão os Guarda-Chuvas
Nome do Autor: Afonso Cruz
Editora: Alfaguara
Número de páginas: 620 páginas
Sinopse: «O pano de fundo deste romance é um Oriente efabulado, baseado no que pensamos que foi o seu passado e acreditamos ser o seu presente, com tudo o que esse Oriente tem de mágico, de diferente e de perverso. Conta a história de um homem que ambiciona ser invisível, de uma criança que gostaria de voar como um avião, de uma mulher que quer casar com um homem de olhos azuis, de um poeta profundamente mudo, de um general russo que é uma espécie de galo de luta, de uma mulher cujos cabelos fogem de uma gaiola, de um indiano apaixonado e de um rapaz que tem o universo inteiro dentro da boca.
Um magnífico romance que abre com uma história ilustrada para crianças que já não acreditam no Pai Natal e se desdobra numa sublime tapeçaria de vidas, tecida com os fios e as cores das coisas que encontramos, perdemos e esperamos reencontrar.»

Opinião: Um livro tão grande e eu nem sei o que dizer. É assim que me sinto relativamente ao livro Para Onde Vão os Guarda-Chuvas do Afonso Cruz. Não por achar que foi um livro muito bom ou muito mau, mas sim porque achei que foi o livro mais estranho (e até certo ponto confuso) que li na vida. 
As minhas expetativas para este livro eram altas: foi escrito por um autor português altamente aclamado e o livro em si é altamente elogiado (sendo que até é o livro que eu li em 2016 com um rating mais alto no goodreads, e foi, infelizmente, o rating mais baixo que dei este ano). 
O livro segue uma família muçulmana liderada por um fazedor de tapetes onde temos uma irmã completamente sem noção, uma criança irritante e um mudo. Honestamente, não há muito mais a dizer da história e esse foi um dos grandes problemas da obra: durante páginas e páginas não estava a acontecer realmente nada de importante e parecia que a ação nunca mais desenrolava. 
Comecei logo mal com o nome das personagens. Percebo que o autor se tenha inspirado na realidade muçulmana para criar esta história mas os nomes acabam por ser um bocado complicados e, algumas vezes, até confusos. 
A história para minha estava a ser um completo fiasco (um autêntico livro de nem uma estrela) e eu estava a ler só mesmo para o terminar. Depois veio um capítulo magnifico, o capítulo 70 que, tal como o resto do livro, foi bastante estranho, mas acabou por passar uma mensagem que gostei muito. Foi só a partir daqui que eu percebi o porquê dos nomes estranhos e das personagens fora do comum: o livro em si parece todo uma grande e complexa metáfora que, quando analisada com calma e cabeça, é muito boa. O principal problema é que a metáfora é tão densa que se acaba por perder informação e significados, e talvez por isso o livro não me estivesse a cativar tanto como poderia ter feito. 
Pela metade do livro eu estava em tão a começar de gostar e foi exatamente nesse momento que senti que o livro merecia um rating mais alto. No entanto, logo a seguir, as coisas voltaram a perder-se e eu deixei de perceber o objetivo da história e o porquê de tanta gente amar este livro. Percebo que existam pessoas que gostem deste livro mas, infelizmente, eu não sou uma delas e não recomendo, além de que não percebo o porquê do final, que foi, na minha opinião, horrível.
Para mim, o que ainda salvou o livro de receber apenas meia estrela, além do referido anteriormente, foi o facto de que tem realmente frases muito boas e de, apesar de não estar a gostar do livro, as páginas passavam minimamente rápido.
Infelizmente não gostei desta experiência de leitura mas espero, no futuro, ler um livro deste autor de que goste mais, mas este não era para mim.  
Boas leituras.  
(1 em 5 estrelas)
Quotes/Melhores Momentos:
  • «As tragédias gostam da nossa intimidade, de se sentar connosco a beber chá.» - Página 59
  • «Lembrar-te-ás de respeitar os mortos, porque ninguém respeita os vivos sem saber de onde vieram, e todos nós viemos dos mortos, todos os antepassados estão enterrados, foi de lá que nós viemos, não há vergonha nenhuma em perceber isso, pelo contrário, devemos sempre lembrar-nos disso. E é para junto deles que eu vou, que eu volto. Lembra-te, ninguém parte, tudo o que fazemos é regressar.» - Página 63
  • «O sangue é da cor da desgraça, é da cor da morte, nem sei porque é que quando morre alguém nos vestimos de preto, devia ser de vermelho, que é o corpo do avesso.» - Página 63
  • «Se queres vencer a morte, primeiro vence na vida.» - Página 74
  • «Os telescópios não servem para aumentar as estrelas, mas para diminuir o ser humano. São máquinas de nos fazer pequenos.» - Página 86
  • «Os homens deviam ser mudos até certa altura e depois rebentavam. Seria uma coisa ensurdecedora. Um homem a explodir toda a sabedoria que havia acumulado durante uma vida.» - Página 154
  • «Mas o problema é que o povo é um girassol: volta-se para onde brilha a luz, de forma automática, sem razão, sem discernimento. É assim o povo com os seus líderes. Somos todos uns girassóis.» - Página 357 

domingo, 20 de novembro de 2016

Memorial do Convento - Opinião




Memorial do Convento


Nome do livro: Memorial do Convento
Nome do Autor: José Saramago
Editora: Caminho Editora
Número de páginas: 373 páginas

Sinopse: «Um romance histórico inovador. Personagem principal, o Convento de Mafra. O escritor aparta-se da descrição engessada, privilegiando a caracterização de uma época. Segue o estilo: "Era uma vez um rei que fez promessas de levantar um convento em Mafra... Era uma vez a gente que construiu esse convento... Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes... Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido". Tudo, "era uma vez...". Logo a começar por "D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa a até hoje ainda não emprenhou (...). Depois, a sobressair, essa espantosa personagem, Blimunda, ao encontro de Baltasar. Milhares de léguas andou Blimundo, e o romance correu mundo, na escrita e na ópera (numa adaptação do compositor italiano Azio Corghi). Para a nossa memória ficam essas duas personagens inesquecíveis, um Sete Sóis e o outro Sete Luas, a passearem o seu amor pelo Portugal violento e inquisitorial dos tristes tempos do rei D. João V.» (Diário de Notícias, 9 de outubro de 1998) 

Opinião: Depois de muito tempo, eu finalmente consegui acabar o Memorial do Convento, e, contra todas as expectativas, acho que este livro é, sem dúvida nenhuma, uma autêntica obra-prima.
O Memorial do Convento é aquele livro com personagens e uma história incrível, mas que não é tão fácil de ler, sendo este o motivo de não receber as 5 estrelas. A esta dificuldade junta-se a tão conhecida escrita de Saramago que faz com que as pessoas ou o amem como autor, ou o detestem.
Li o Ensaio Sobre a Cegueira à uns anos e digo-vos desde já que a dificuldade de leitura desse livro comparada com a deste não é nenhuma. O Memorial é realmente um livro muito difícil de ultrapassar, o autor usa frequentemente palavras complicadas e nomes históricos que obriga a pesquisas e consequentemente arrasta o ritmo de leitura. No entanto, quando, ao fim de muitas páginas, conseguimos entrar na escrita do autor, é realmente muito interessante e nota-se muita pesquisa por parte do autor.
O livro acompanha Baltasar Sete-Sóis, um antigo soldado que, ao voltar da guerra encontra Blimunda por quem se apaixona e que o apresenta ao padre Bartolomeu Lourenço, um homem que realmente acredita que consegue criar uma máquina de voar, a Passarola. A ação segue assim estas três personagens à medida que tentam tornar a ideia do padre real. Pelo outro lado, vemos a família real à medida que o rei cumpre a sua promessa de construir um convento em Mafra se a rainha engravidasse, o que dá um contraste bastante interessante entre estes dois casais. Relativamente às personagens não tenho queixa nenhuma, pelo contrário, eu realmente gostei de todas.
Se tivesse de definir a parte que mais gostei no livro acho que foi mesmo o papel do Convento de Mafra em Portugal e a ironia que o autor usa para descrever a ambição e a astucia do rei para com esta imponência histórica. E é realmente interessante ver o retrato que surge de como uma construção influenciou e separou tantas famílias, sendo que um dos episódios mais marcantes da obra é o transporte da pedra que demonstra bem a vaidade do rei.
Adorei ainda toda a ideia divina por detrás da obra, especialmente a ideia do "Pai, Filho e Espírito Santo" que rodeia as personagens principais.
Relativamente ao final, sei que muita gente o odeia, mas eu adorei-o. Claro que iria gostar se fosse o que toda a gente esperava, mas exatamente por não ser o esperado, acho que dá um toque final incrível.
Sei que não é um livro fácil, eu arrastei-o por uns bons meses, mas não precisam de o ler todo seguido, vão pegando nele de vez em quando e avançando um bocado que assim conseguem e não se torna tão difícil e também não desistam de o ler só porque não o conseguiram fazer no secundário, porque isso aconteceu-me e no final eu adorei o livro, então, recomendo muito. Se puderem, após a leitura, visitem o Convento de Mafra porque é, sem dúvida, um monumento tão imponente que vos arrepia (e com uma biblioteca linda e cheia de livros antigos e extremamente raros).
Boas leituras.

3 em 5 Estrelas

Quotes/Melhores Momentos:
  • «Devia ser um direito do homem escolher o seu próprio nome e mudá-lo cem vezes ao dia, um nome não é nada.» - Página 52
  • «Burros à nora, de olhos tapados para terem a ilusão de caminharem a direito, não sabendo, como não sabiam os donos, que andando realmente a direito também acabariam por vir parar ao mesmo lugar, porque o mundo é ele uma nora e são os homens que, andando em cima dele, o puxam e fazem andar.» - Página 66
  • «Podemos fugir de tudo, não de nós próprios.» - Página 72
  • «Porventura gostarão os homens de sofrer ou estimam mais a convicção do espírito do que a preservação do corpo, Deus não sabia no que se metia quando criou Adão e Eva.» - Página 99
  • «Toda a gente sabe o que tem, mas não sabe o que isso vale.» - Página 105
  • «Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem uma coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu.» - Página 121
  • «Há um tempo para construir e um tempo para destruir, umas mãos assentaram as telhas deste telhado, outras o deitarão abaixo, e todas as paredes, se for preciso.» - Página 175
  • «No mundo só há morte e vida, ficaram todos à espera do resto, por que será que os velhos se calam quando deveriam continuar falando, por isso os novos têm de aprender tudo desde o princípio.» - Página 216
  • «Ao contrário do que se costuma dizer a morte não é toda igual, o que é igual é estar morto.» - Página 276
  • «Um homem nunca sabe quando a guerra acaba. Diz, Olha, acabou, e de repente não se acabou, recomeça, e vem diferente, a puta, ainda ontem eram floreios de espada e hoje são arrombações de pelouro, ainda ontem se derrubavam mulheres e hoje se desmoronam cidades, ainda ontem se exterminavam países e hoje se rebentam mundos, ainda ontem morrer um era uma tragédia e hoje é banalidade evaporar-se um milhão.» - Página 297
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Convento de Mafra