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sábado, 8 de abril de 2017

A Quinta dos Animais (Animal Farm) - Opinião/Book Review


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A Quinta dos Animais

Nome do livro: A Quinta dos Animais
Nome original do livro: Animal Farm
Nome do livro no Brasil: A Revolução dos Bichos
Nome da Autora: George Orwell
Editora: Revista Visão
Número de páginas: 134 páginas
Sinopse: «Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original, contrariamente às edições anteriores, que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e - o mais conhecido - O Triunfo dos Porcos.
À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, "no tempo em que os animais falavam", os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comportar-se como animais.»


Opinião: A Quinta dos Animais começa, devido às personagens e ao mundo em que se passa, por gerar estranheza ao leitor. No entanto, devido a estes mesmos fatores, acaba também por tornar a ação bastante interessante, especialmente quando se repara em toda a simbologia que rodeia o mundo, as personagens e as suas ações.
Ao seguir a revolta dos animais que os leva a ficar com a quinta antes liderada por um humano e a conquista desses animais de uma vida utópica, é bastante interessante a forma subtil, mas rápida, com que a manipulação vai sendo feita.
O livro mostra-nos como as pessoas são capazes de manipular as pessoas à sua volta e que, se as pessoas não forem cuidadosas e atentas podem ser facilmente manipuladas. Ao mesmo tempo, mostra ao leitor a necessidade de realmente acreditarmos em algo e não naquilo que as pessoas à nossa volta nos dizem ser a verdade.
George Orwell foi capaz de criar uma critica política forte quando pouca gente tinha coragem de o fazer, fazendo de A Quinta dos Animais um livro ainda mais fantástico, sendo um daqueles livros que toda a gente deveria ler pelo menos uma vez na vida. Só não se esqueça que "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros".
Boas leituras. 

Esta edição do livro faz parte do projeto Ler Faz Bem e a revista Visão, fundadora deste projeto, pediu aos leitores para enviar opiniões por escrito ou em vídeo, tendo posteriormente publicado essas mesmas opiniões onde também consta a minha, que agora, para não fugir à regra, publico no meu blog. 

(5 em 5 estrelas)

Quotes/Melhores Momentos:
  • «Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.» - Página 128

Trailer da adaptação do livro para o cinema (1954): 

sábado, 30 de janeiro de 2016

1984 - Resenha Dupla

1984

Sinopse: "Curioso percurso, o desta alegoria inventada para criticar o estalinismo e invocada ao longo de décadas pelos ideólogos democráticos, e que oferece agora uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas.
A electrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. Como se não bastasse, a electrónica permite, e também sem precedentes, que instrumentos destinados ao trabalho e à vigilância sejam igualmente usados nos ócios. É graças à unificação de todos os aspectos da vida numa tecnologia integrada que a democracia capitalista pode realizar na prática as suas virtualidades totalitárias. O Big Brother já não é uma figura de estilo – converteu-se numa vulgaridade quotidiana."
Nome do livro: 1984
Nome do Autor: George Orwell
Editora: Antígona
Número de páginas: 300 páginas
Resenha: Eu finalmente li o clássico distópico que todos amam, 1984. E sim, devo dizer desde já que é um bom livro. 
Mudou a minha forma de pensar ou de ver o mundo como para a maior parte das pessoas que o leu? Não. Deixou-me a pensar? Sim. 
Para aqueles que não sabem sobre o que este livro fala (o que deve ser difícil visto que pelo menos já devem ter ouvido falar do programa Big Brother que descreve em parte este mundo): este livro acompanha a vida de Winston Smith que vive na Oceânia, apesar de neste caso a Oceânia não ocupar exatamente os países que ocupam para nós atualmente. Neste livro é nos descrito um mundo futurista e completamente novo onde as pessoas são constantemente vigiadas e influenciadas pelo governo. Não pode haver vontade própria ou até pensamentos próprios, o governo manda. No topo desta "pirâmide" de vigilância temos o Big Brother, símbolo da constante vigia, e a frase "Big Brother is watching you" (O Grande Irmão está a ver-te) é constantemente lembrada às personagens deste livro; existe até a "Polícia do Pensamento" responsável por prender quem pensa contra o governo, o slogan é "Guerra é Paz. Liberdade é Escravatura. Ignorância é Força", que acabam por ser explicados e que acaba por descrever o extremo do governo. 
E é exatamente este mundo a melhor parte do livro, uma vez que George Orwell conseguiu criar um mundo tão à frente do seu tempo (e que ele considerava poder vir a ser o futuro). 
Quanto às personagens deste livro, temos o Winston, a personagem principal, que é uma personagem completamente diferente de qualquer outra neste livro porque não se deixa influenciar tanto pelo governo. Quanto às outras personagens do livro, e apesar de não ter gostado de praticamente nenhuma, não as odiei; não gostei da forma de serem mas percebo perfeitamente o porquê de serem assim e a necessidade delas para a história. 
Percebo também o porquê de o George Orwell levar tão ao limite a criação deste mundo, e ele acabou por fazer isso de uma forma completamente brilhante. 
Este livro é tão complexo (mas de uma forma simples) que se torna difícil dar a minha opinião, é exatamente daqueles livros que uma pessoa necessita mesmo de os ler para conseguir compreender como ele é. 
Muita gente compara o mundo deste livro com a nossa sociedade atual e sim, tem algumas características em comum, mas nada tão levado ao extremo ou tão totalitarista como neste livro, nesse aspeto ainda estamos bastante longe. 
O final deixou-me muitas perguntas por responder, mas considero que o autor fez isso de propósito e acabou por ficar bastante bem. 
O livro encontra-se divido em três partes, sendo que cada uma meio que simboliza os três principais pontos de mudança na história, e devo dizer que de todo o livro houve apenas um momento que eu simplesmente não gostei, que é o capítulo 9 da 2ª parte. Não vou dizer do que se trata, mas se lerem o livro tenham isto em atenção: essa parte, apesar de interessante, é bastante chata, mas devem continuar a ler mesmo assim porque a parte a seguir a essa é o ponto alto do livro (na minha opinião) e a 3ª parte é muito emocionante. 
É um livro com um mundo muito bom, personagens que se enquadram muito bem (apesar de eu não ter gostado da maioria delas), com descrições incríveis e nada arrastadas e uma história que se lê muito rápido, recomendo sim.
- Pan

Quotes/Melhores Momentos: 
  • «Enquanto não tomarem consciência não se revoltarão, e enquanto não se revoltarem não poderão tomar consciência» - Página 75
  • «Concluiu com surpresa que nos momentos de crise nunca se luta contra um inimigo exterior, mas sempre contra o próprio corpo.» - Página 106
  • «Neste jogo que estamos a jogar não temos hipótese de vencer. Há formas de fracassar melhores do que outras, só isso.» - Página 139
  • «Vocês terão de se habituar a viver sem resultados nem esperança. Trabalharão durante algum tempo, serão apanhados, confessarão e morrerão. São estes os únicos resultados visíveis. Convençam-se de que é improvável virem a ocorrer mudanças perceptíveis durante a vossa vida. Nós somos os mortos.» - Página 179
  • «Perante a dor não há heróis.» - Página 241
  • «Escravidão é liberdade. Sozinho, livre, o ser humano acaba sempre derrotado. E tem de ser assim, porque cada ser humano está condenado a morrer, o que constituiu o maior de todos os fracassos.» - Página 266
(4 em 5 estrelas)

1984

Sinopse: "The year 1984 has come and gone, but George Orwell's prophetic, nightmarish vision in 1949 of the world we were becoming is timelier than ever. 1984 is still the great modern classic of "negative utopia" -a startlingly original and haunting novel that creates an imaginary world that is completely convincing, from the first sentence to the last four words. No one can deny the novel's hold on the imaginations of whole generations, or the power of its admonitions -a power that seems to grow, not lessen, with the passage of time."
Nome do livro: 1984
Nome do Autor: George Orwell
Editora: Signet Classics (livro em inglês)
Número de páginas: 298 páginas
Outra Resenha: A aclamada obra de Geroge Orwell 1984 passa-se num universo distópico onde o governo controla tudo o que a população faz. A personagem principal é Winston Smith, um homem de 39 anos que trabalha para o governo. 
A história desenvolve-se ao redor de Winston, devido ao facto de ser diferente dos outros. Este livro descreve um governo diferente daqueles a que estamos habituados no século XXI, e, tendo em conta de que foi escrito em pleno movimento de ditadura e totalitarismo (Stalin e Hitler), o meio foi muito bem conseguido. A maneira como é descrito, quer o que as pessoas sentem em relação ao governo, quer as regras e "mandamentos" da sociedade, resulta numa envolvência total neste modo de viver. A início, parece ser bastante simples, mas à medida que continuamos a acompanhar a vida de Winston, apercebemos-nos de que não é assim tão linear. Um exemplo disso são os três slogans do partido: Guerra é Paz, Liberdade é Escravatura e  Ignorância é Força; que nos parecem quase que aleatórios quando nos surgem pela primeira vez, mas que são explicados mais adiante na obra. 
Outro aspeto que gostaria de realçar é o facto de o autor ter intercalado as lembranças de Winston, com a sua vida atual, com o governo, com os seus pensamentos. Isto poderia ter sido alcançado com muito pouco sucesso, tendo em conta de que o livro, apesar de nos dar a perspetiva de Winston, não é escrito por ele, mas sim na terceira pessoa. Mas não foi isto que aconteceu, e Orwell conseguiu um discurso fluido e sem falhas.
Um pormenor que achei que deveria ter tido em conta quando comecei a ler o livro é a época em que foi escrito. A obra foi escrito à cerca de 60 anos atrás e, tal como muitas das obras escritas nessa época, poderia ter referências a coisas que desconheço por não ter vivido nesse tempo. No entanto, para maior das minhas surpresas, 1984, talvez por se passar num futuro diferente do presente de George Orwell, poderia ter sido escrito e 2016, que a leitura seria a mesma. E considero que isto é de grande mérito, porque não é fácil escrever uma obra intemporal, que quebre qualquer barreira de tempo e espaço. 
Apesar de tudo isto, e talvez por procrastinar demasiado, não li o livro assim tão depressa. É bom, sim, verdade, mas demorei quase dois meses a lê-lo. 
No geral, recomendo a leitura deste clássico, principalmente a pessoas que gostem de utopias, neste caso, uma utopia negativa.
-Guerassimovna

Quotes/Melhores Momentos: 
  • «What mattered were individual relationships, and a completely helpless gesture, an embrace, a tear, a word spoken to a dying man, could have value in itself.» (O que importava era as relações individuais, e um gesto completamente desamparado, um abraco, uma lágrima, uma palavra proferida a um homem a morrer, poderiam ter valor nelas próprias) - Página 165
  • «You'll work for a while, you will be caught, you will confess, and the you will die.» (Irás trabalhar durante algum tempo, irás ser apanhado, irás confessar, e depois irás morrer) - Página 176
  • «In general, the greater the undestanding, the greater the delusion: the more intelligent, the less sane.» (No geral, quanto mais perceberes, mais é a ilusão: quanto mais inteligente, menos são) - Página 215
  • «Why should the fruit be held inferior to the flower?» (Porque é que a fruta tem que ser inferior à flor?) - Página 219
  • «Never again will you be capable of ordinary human feeling. Everything will be dead inside you. Never again will you be capable of love, or friendship, or jot of living, or laughter, or curiosity, or courage, or integrity. You will be hollow. We shall squeeze you empty, and then we shall fill you with ourselves.» (Nunca mais serás capaz de sentimentos humanos normais. Tudo dentro de ti estará morto. Nunca mais serás capaz de amor, ou amizade, ou alegria de viver, ou riso, ou curiosidade, ou coragem, ou integridade. Tu serás oco. Nós iremos esmagar-te até ficares vazio, e depois iremos encher-te com nós próprios.) - Página 256
(3.5 em 5 estrelas)

Trailer da adaptação do livro para o cinema: 


Discussão (com spoilers) do livro AQUI

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

1984 - Discussão (com spoilers)


No princípio do livro é nos apresentado o mundo que George Orwell achava poder vir a ser o futuro, um mundo distópico em que o totalitarismo ao extremo governa este mundo.
Nós não conseguimos evitar comparar o país onde se passa a história (a Oceânia - Reino Unido e Irlanda, todo o continente América, a Oceânia e a África do Sul) com a Alemanha nazi (ou a URSS - Rússia Estalinista) e os outros países com o resto do mundo democrático, pois, e embora, nos seja dito que o os outros dois países sejam como a Oceânia, não há qualquer tipo de certeza disso porque nenhum cidadão da Oceânia pode sair do seu país e o governo divulga a informação que quer, da forma que lhes convém e todos acreditam. O facto de não serem aliados e estarem em guerra, leva-nos a crer que nos outros países pode realmente haver um regime democrático, apesar de isto não estar escrito em nenhuma parte do livro, é uma opinião pessoal.

O Winston Smith é uma personagem completamente fora do normal e isso levantou-nos algumas dúvidas. Percebemos aquela ideia de ele ser o protagonista do livro exatamente por ser diferente (e não se deixar influenciar pela informação dada pelo governo), mas realmente nunca nos é dada uma explicação para o porquê de ele ser assim.

Quando Winston vai até junto dos proles surgiram algumas dúvidas em relação a esse grupo: primeiro de tudo, porque é que não são tão controlados como o resto da população; segundo, o porquê de eles serem considerados diferentes e terceiro, o porquê de, se eles têm vontade própria, o porquê de não se revoltarem, uma vez que, segundo o livro, eles vivem em condições miseráveis. Esta divisão entre proles e resto da população acabou por se tornar um bocado confusa.
Na parte em que está a ser feito um discurso político e as pessoas seguram publicidade contra o país que a Oceânia atacava, e um político faz um discurso no qual diz que se encontram em guerra com o outro país, eu achei levado ao extremo a ideia de como é fácil mudar a opinião das pessoas, uma vez que elas seguravam publicidade contra um país mas não ligavam a isso, gritavam contra o outro. Por outro lado, a guerassimovna considerava que esse momento foi escrito assim como uma forma de explorar o totalitarismo dado que várias formas deste tipo de regime assumem por vezes posições contraditórias.

Uma vertente da história que não foi tão explorada foi a família do Winston e, especialmente, a sua mulher, cuja relação nos deixou com muitas dúvidas, especialmente quanto ao seu paradeiro e o porquê de ele não se importar, uma vez que ele consegue sentir emoções, tal como demonstra quando surge a Julia, por quem ele se parece apaixonar rápido de mais, o que pode ser explicado (na nossa opinião) pelo facto de ele viver sozinho e do nada aparece uma mulher mais nova e bonita que lhe dá atenção.

O facto de ele nunca ter sido apanhado antes foi uma das principais perguntas relativamente ao livro, uma vez que, e havendo um vigilância tão apertada, existindo até a Polícia do Pensamento, e uma vez que o O'Brien ter dito que o Winston estava a ser vigiado à anos, leva-nos a perguntar o porquê de ele não ter sido apanhado mais cedo, ma vez que ele próprio achava que, na maioria das vezes, estava a fazer ações "suicidas".
Quando ele é finalmente apanhado, é de uma forma completamente inesperada, sendo que o momento do "-Nós somos os mortos./ -Nós somos os mortos./ -Vocês são os mortos." foi um dos pontos altos do livro.
Quanto à parte da tortura (parte 3) foi muito bem descrita, e até certo ponto arrepiante, especialmente no momento em que ele vai para a sala 101 onde as pessoas são confrontadas com os seus piores medos e quando ele descreve como está o seu corpo, no entanto não percebemos o porquê de ele ser libertado, apesar de percebermos aquela ideia de o partido não querer matar os que pensam contra mas modificá-los.

Quanto à questão do se ele foi realmente modificado ou não, não há uma resposta certa. Por um lado parece que sim porque todas as memórias que ele tinha considera que são memórias falsas, por outro lado parece que não, por ele ainda ter essas mesmas memórias. No final do livro vemos uma manifestação de amor ao big brother (grande irmão), quando ele diz "amava o grande irmão", ao mesmo tempo está presente ainda aquela ideia de a morte ainda puder vir a chegar por alguém do partido, quando dá a entender que sabe que a morte vai ser num corredor do Ministério do Amor com uma bala na nuca. 
Na nossa opinião, este final ligeiramente em aberto deixa para a imaginação do leitor se o Winston se vai tornar parte da população completamente envolvida pelo partido ou se vai recuperar e atacá-lo.
- Mad & Guerassimovna
(https://guerassimovna.weebly.com)

Resenha (sem spoilers) AQUI